ARCADE..ON FIRE!

A primeira vez que os ouvi pensei; oh que bom, que coisa refrescante! Não pelo teor das músicas que eram profundas e tristonhas mas porque há muito que não ouvia um som tão genuíno, verdadeiro e orgânico. Lembro-me porque estava no meu local de trabalho e porque uma rapariga nova na sala decidiu comunicar comigo e vi-lhe um brilho no olhar. Brilho esse que nos mostra quando uma pessoa fica feliz só de perceber que no outro lado está outra que tem os meus gostos, e que pode falar sem grandes reservas.

Bom, fiquei fã e continuei ao longo dos anos. A maior parte das pessoas a quem falava diziam-me: Quem são esses? Não conheço nada disso. Músicas esquisitas que tu gostas pá! 
Mas isto, para eles é um grão de areia (e contrariando o que diz o Carl Sagan acerca dos grãos de areia; “existe um universo dentro de um grão de areia”) Arcade Fire continuou a expandir o seu leque de possibilidades e de fãs independentemente destes grãos de areia, não podemos todos fazer parte da mesma praia, afinal… existem tantas. Dilataram a categoria musical, e a teatralidade nos concertos ao vivo, chegam a ser apelidados de uma banda de baroque pop, seja lá o que isso queira dizer.

A mim, o som chega-me ao coração e entra-me nas células onde tudo começa a palpitar e a dançar e para mim chega. 

Esta banda é difícil de categorizar devido à diversidade de sons que conseguem criar mas talvez a categoria que melhor os define, para mim,  é num rock alternativo ou mesmo um indie alternativo.
Categorias à parte; os concertos são muito bons, completos, uma loucura em que a malta não consegue estar parada, tem que abanar alguma parte do corpo, sente a pulsação, o coração, e as emoções vão mesmo ao rubro. E as músicas...essas contam as nossas histórias, histórias daqui e dacolá. 

A intimidade visível entre todos os membros da banda faz com que um aparente caos musical se transforme numa perfeita dança harmoniosa, envolvente e quase sagrada, assim o transmite. A estrutura deles só demonstra que funcionam como uma verdadeira comunidade e isso é visível a olho nu, emociona e eleva. O verdadeiro objectivo de um concerto é mesmo esse; elevar e transformar a dança e o canto em pura sinfonia de alegria, paz e amor. Esse é o poder da música.

Eles conseguiram e conseguem sempre. Porquê? Talvez porque apesar da dilatação do público mantém a mesma intensidade, o mesmo romantismo e a sinceridade nas letras.

O melhor momento, valeu pela vida, que perfeição no alinhamento de músicas, pssstt!
Listen very carefully




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